Desafios na educação do século XXI

Vivemos num século extraordinário. Encontramos na sociedade globalizada uma fusão de diferentes crenças e culturas, onde também as escolas se têm vindo a renovar, agora mais do que nunca. Mas para onde caminhamos?

A essência da educação é, desde que a conhecemos, preparar os alunos para se tornarem membros ativos e bem-sucedidos da sociedade. Nos dias que correm, esse papel não mudou. Porém, se antes o domínio da leitura, da escrita e da aritmética eram das principais aptidões que determinavam o perfil de um “bom aluno”, hoje estamos cada vez mais certos de que a educação deve ir mais além.

O primeiro passo será reconhecer que, em geral, o sistema educativo tradicional poderá não preparar os estudantes para enfrentar determinados cenários da vida adulta, entre eles, comunicar eficazmente ou pensar de forma crítica e global, a título de exemplo.

Não conseguimos, de facto, preparar adequadamente a nova geração se continuarmos a orientá-la para a sociedade de ontem. Há, pois, que considerar esta abordagem, ajustar o currículo escolar e repensar os fatores inerentes à educação nas salas de aula, sejam elas online ou offline. É neste parâmetro que falamos na “educação do século XXI” e consequentes desafios que dela advêm.

Aprender é pesquisar e descobrir! Motivo pelo qual uma aula já não se trata estritamente de ouvir em silêncio o professor e memorizar a informação relatada. Nesta nova perspetiva, os professores são autênticos mentores aos olhos das suas turmas e, como tal, precisam também de um reconhecimento neste sentido, para que possam motivar e capacitar esta aprendizagem.

Aos educadores, cabe o papel preponderante de promover a criatividade, incentivar o diálogo e a colaboração entre colegas, incitar ao pensamento crítico e ensinar o poder da comunicação assertiva. São habilidades como estas que, gradualmente estimuladas e desenvolvidas, moldam os alunos para que prosperem no futuro, em particular, no próprio contexto de trabalho.

“O que será que os meus educandos vão realmente precisar daqui a dez, vinte, cinquenta anos? Quais as ferramentas que lhes serão úteis e que posso ajudar a fortalecer?”. Questões como estas vão com certeza ajudar professores a instigar mudanças desde a sala de aula até à comunidade.

Por sua vez, os estudantes, nativos digitais, crescem com uma quantidade de informação sem precedentes. Tudo está prontamente disponível através de uma pesquisa instantânea. Com tanto conteúdo disponível, as aptidões retratadas servem como apoio para desconstruir e atribuir significado a tamanha informação, usando-a da forma mais estratégica.

Ainda no que diz respeito à informação, tantas são as fontes de conhecimento que encontramos. Torna-se fundamental garantir que os alunos saibam distinguir informações verídicas, que aprendam sobre diferentes práticas e que conheçam novos métodos. Dentro das aptidões que discutimos antes, áreas como desenvolvimento sustentável, direitos humanos, cidadania global, literacia digital e tantas outras são tópicos de interesse a discutir no dia a dia.

Para que isto aconteça, as escolas precisam de estar integradas na sociedade civil. Devem colaborar e partilhar informações com outras instituições de ensino, locais e de todo o mundo. Ocasionalmente, podem criar-se eventos, atividades e outros projetos escolares que envolvam a comunidade, além de se incentivar os alunos a participar em associações, por exemplo. Dotar as escolas de infraestruturas tecnológicas e disponibilizar a todos os colaboradores e alunos acesso à Internet são outros investimentos urgentes.

Concordamos com António Sampaio da Nóvoa, que referia ao Instituto Ayrton Senna, em 2016, que “nada substitui um bom professor”, ao refletir sobre o papel central que esta profissão assume na educação do século XXI. O especialista apontava a aposta na formação contínua dos professores e na partilha entre docentes como soluções orientadoras desta nova realidade pedagógica, em que a sala de aula se encara como um lugar de estudo e de trabalho coletivo e dinâmico.

O conjunto de aptidões descritas são instrumentos universais que afinam maneiras de pensar, aprender e viver no mundo. A crise da Covid-19 criou a oportunidade que faltava e que não deve ser desperdiçada para darmos o salto para uma educação do século XXI. Prepararmo-nos para um futuro complexo e em constante mudança, significa, então, aprender agora a deixar o nosso melhor contributo.

Helena Antunes

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