Ensino Online – Como não estamos preparados

Num mundo cada vez mais digital, e perante uma situação de quarentena obrigatória, não pode ser um impedimento a educação continuar.

Pergunto eu como mãe, pergunta a minha irmã como professora, pergunta o meu filho como aluno. 

Perante o facto inquestionável da impossibilidade de um regresso às aulas presenciais, nos próximos, de milhares de crianças e jovens em Portugal, existe em cada cabeça, numa ansiedade tremenda, a pergunta “e agora?”  Um ano lectivo interrompido com matéria por dar, alunos com exames para fazer, crianças que estavam a aprender a escrever as primeiras letras e as primeiras contas. E tudo pára. Abruptamente. Vão deixar de aprender? De se preparar para os exames? Perder um ano lectivo, ou entrar no ano seguinte com programas adaptados ao ensino que ficou por dar? 

– Mas tem de ser assim? 

Todos sabemos que os nossos filhos usam diariamente meios de comunicação online, desde PlayStation, jogos online de computador, comunicam a toda a hora por whatsapp em vídeo e áudio, dominam o Instagram, o tik tok, o YouTube, qualquer aplicação de telemóvel que lhes permita comunicarem eles não se acanham em instalar e usar. Aprendem à velocidade da luz sem pestanejar. Até as crianças do primeiro ciclo usam o iPad com mais facilidade, alegria  e atenção do que folheiam um livro. Eles não estão errados, eles vivem a realidade tecnológica que os rodeia e que cresce de uma forma alucinante. E mais, eles são os primeiros a acompanhá-la e a tirar partido dela para tudo o que os interessar. 

– Então, como é que não estamos preparados? 

Não tenho dúvidas: eles estão! 

Cabe aos professores, escolas, pais, encarregados de educação, fazer um esforço para aprender o que não sabem e acreditar que são eles, os alunos, que vão garantir o sucesso do ensino à distância. Por uma simples razão: porque é novo, e tudo o que é novo tecnologicamente, os atrai. 

Cabe então a nós, professores, pais, escolas, encarregados de educação, conseguir inventar uma forma de ensino capaz de os motivar, de os sensibilizar que a educação é essencial para a vida deles, e que também nós seremos capazes de nos adaptar.

Importa transmitir-lhes a segurança que nós estamos a trabalhar com eles, aceitar que também podemos e queremos aprender com eles toda a tecnologia nova que eles descobrem e quiserem partilhar. Para que tudo seja mais fácil, mais simples, mais eficaz e, em conjunto, reinventarem a afetividade possível do relacionamento humano que a todos estará certamente a faltar. 

Num mundo cada vez mais digital, e perante uma situação de quarentena obrigatória, não pode ser um impedimento a educação continuar.

Existem várias plataformas on-line capazes de recriar uma sala de aula, onde o professor pode expor os slides como num quadro, responder a dúvidas durante a aula, ou onde os alunos poderão ser condutores da aula a apresentarem trabalhos como o fazem na escola.

Alunos motivados, serão alunos com mais sucesso. 

Professores seguros de que esta nova sala de aula pode ser uma evolução do ensino em Portugal, são professores motivados. 

Pais que acreditam que é possível e premente esta nova realidade neste curto espaço de tempo, são pais que contribuem para uma melhor aprendizagem, garantindo as rotinas dos horários, incutindo valores importantes como a responsabilidade e confiança, num ensino à distância que nos bateu à porta sem avisar. 

Sónia Fevereiro, profissional em marketing financeiro

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