Escola Inclusiva

“One size does not fit all”

Meyer, A., Rose, D. H., & Gordon, D., 2014

A escola inclusiva apresenta-se como a conquista mais significativa de uma sociedade culta e democrática. Uma sociedade que sonha a educação pela equidade, aceitando a diferença de todos independentemente das suas características individuais. Assim, o “currículo uniforme pronto-a-vestir de tamanho único” (João Formosinho, 1987) deverá dar lugar a novos olhares sobre a construção do currículo, bem como sobre a carência premente de alterarmos a forma como abordamos ou apresentamos os conteúdos aos nossos alunos que se verificam heterogéneos e, portanto, com diferentes interesses e diversas formas de aquisição de conhecimento.

Assim, deverá o professor questionar permanentemente a sua atividade? Confrontar os resultados alcançados com a diferenciação pedagógica aplicada? Sim. O caminho é o do questionamento, o da reflexão incessante, o da colaboração, da partilha de metodologias, da valorização da diversidade com o intuito de chegar a todos os alunos. Neste sentido, o docente deverá investir na sua formação de maneira a atualizar conceitos, conteúdos, metodologias e práticas de ensino-aprendizagem, frequentando ações de formação no âmbito da inclusão, ensino cooperativo, cultura de partilha e cooperação, bem como dentro da temática das metodologias de ensino como Flipped Classroom, uma vez que a “solução” para o sucesso e felicidade dos alunos passa pela personalização da educação, tendo como objetivo educar para o mundo global.

Seymour Papert afirmou que se fosse possível trazermos para os nossos Blocos de Operação um cirurgião do século XIX, certamente, este não seria capaz de salvar o paciente, visto que não estaria preparado para trabalhar com o equipamento disponível nos dias de hoje. Todavia, se conseguíssemos trazer um professor do século XIX para as nossas salas de aula, muito provavelmente este conseguiria continuar a lecionar, considerando que os recursos utilizados pela maioria dos professores continuam a cingir-se ao manual escolar e às fotocópias. Para além disso, em Portugal, a comunidade docente está claramente envelhecida e não sente motivação para alterar as suas práticas, bem como também resiste à mudança de conteúdos, uma vez que isto implicaria uma atualização completa da licenciatura que frequentaram há mais de trinta anos. Tudo isto faz-me recordar a música “Estudo Errado”, de Gabriel – O Pensador,  escrita em 1995, onde se pode ler que “(…) o ideal é que a escola me prepare para a vida, discutindo e ensinando os problemas atuais e não me dando as mesmas aulas que eles deram para os meus pais (…)”.

Neste contexto, cabe ao professor meditar sobre as suas práticas, olhar para os seus alunos e perceber as potencialidades de cada um deles de maneira a desenvolver projetos educativos que sigam e promovam de forma evidente a inclusão de todos, visando o desenvolvimento de uma cultura de e para a autonomia através de research approaches que promovam a evolução integral de todos os alunos, dotando-os de um conjunto de skills que lhes permitirão caminhar pela vida pessoal e profissional de forma segura e tranquila.

Desta forma, as instituições de ensino público/privado devem estar abertas para a expansão do conhecimento enquanto meio de comunicação com e para todos, ensinando que é possível acreditar numa sociedade livre de dogmas e conflitos, oferecendo experiências de aprendizagem variadas e enriquecedoras, permitindo praticar a inclusão, disponibilizando os recursos pedagógico-didáticos específicos que facilitarão o processo de ensino-aprendizagem, estreitando-se, desta forma, os caminhos entre duas realidades (a da escola e a da vida fora da escola), que, embora distintas, se completam e abrem portas para que o mundo seja um local bem melhor.

Enquanto professora e ao confrontar-me com as necessidades dos meus alunos, bem como com esta transformação social, política e pedagógica, que se confirma mais célere do que em qualquer outro tempo devido à evolução das tecnologias, mergulhei neste mar de incertezas com o propósito claro de levar a cabo um trabalho colaborativo que me permitisse a prática de aulas invertidas que conduzissem os alunos a descobrir os seus próprios talentos, trabalhando a plasticidade cerebral e, assim, desenvolver a tão almejada diferenciação pedagógica. Neste sentido, recorro ao método Flipped Classroom que consiste na gravação antecipada de vídeos relativos a determinados conteúdos a serem estudados pelos discentes em suas casas. Este método permite-me apoiar os alunos individualmente em contexto sala de aula, uma vez que, após o visionamento do vídeo, elaborarão uma ficha de trabalho, um “quiz” gramatical ou  literário, bem como um teste ou tarefa através do “Edmodo”, aplicação que lhes permitirá verificar, imediatamente, os conhecimentos que ainda devem sistematizar, tal como me permite perceber a matéria em que os alunos revelam uma maior dificuldade, considerando que, finalizada a tarefa, o professor recebe um gráfico correspondente às respostas dadas pelos discentes. Para além disso, os Encarregados de Educação/Pais também têm acesso às tarefas e aos documentos disponibilizados, podendo, desta forma, acompanhar o progresso dos seus educandos/filhos. Portanto, da implementação destas metodologias esperam-se progressos ao nível do entendimento do conceito de inclusão, de cooperação, do desenvolvimento pessoal e da autonomia, bem como uma aprendizagem criativa que estimule a sensibilidade estética e artística, o saber científico, técnico e tecnológico, indo ao encontro do “Perfil do Aluno para o Século XXI”.

Antonina Cunha

Licenciada em Português e Especialização em Supervisão Pedagógica na Educação em Línguas pela Universidade do Minho, grau de Mestre em Educação Especial (Domínio Cognitivo e Motor) pelo Instituto Superior de Ciências Educativas, Especialização em Educação Especial (Domínio da Visão) pelo Instituto Superior de Ciências da Informação e da Administração.

No Colégio Novo da Maia, exerce as funções de Docente da disciplina de Português, Coordenadora da Biblioteca/Sala de Estudo, organizando e dinamizando a Semana da Leitura. Criadora do Campeonato de Escrita CNM, que vai já na 3.ª edição, tendo resultado na publicação do livro “Lugar da Escrita” (I, II e III), composto por textos dos alunos participantes, traduzido em inglês, espanhol, francês e alemão, sendo supervisionado pelos professores de línguas e ilustrado pela aluna Matilde Camelo.

Autora dos livros escolares “Preparar a Prova de Aferição de Português 5”, “Fichas de Português 5” e “Fichas de Português 6”, da Areal Editores.

Criadora e coordenadora do “Clube de Leitura e Escrita Braille”, que deu origem aos livros “Sentir as Palavras” (I e II), o último pode ser lido por todos os meninos do mundo, pois encontra-se escrito a tinta e a Braille em diversas línguas: português, inglês, espanhol, francês e alemão.

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