Incluir a Inclusiva

No meio de tanta mudança e adaptação em tempo record a uma nova realidade pedagógica, onde se multiplicam os desafios, surge um, que não deve passar despercebido nos quadradinhos dos nossos ecrãs nem nas tabelas das nossas planificações. Este desafio diz respeito aos alunos abrangidos pelo Decreto-lei nº 54/2018 de 6 de julho, a beneficiar de medidas de suporte à aprendizagem e à inclusão, que merecem a nossa máxima atenção e dedicação. Contudo, no meio de tantas aprendizagens e reestruturações, os professores procuram ainda o lugar destes alunos perante o novo ensino, ou o seu lugar perante estes alunos.

Num primeiro instante, será importante lembrarmo-nos que as mudanças também aconteceram para estes alunos, pelo que será essencial que exista a possibilidade de lhes ser, num primeiro momento, prestado um esclarecimento individualizado acerca do momento que vivemos e das alterações que trouxe para a sua vida, nomeadamente em termos escolares. Esta mensagem deverá ser transmitida de forma clara e tranquilizante. Para estes alunos, mais do que para qualquer outros, importa também que as suas rotinas diárias estejam bem definidas e lhes sejam comunicadas antecipadamente, para que se possam organizar mentalmente para as mudanças. Devemos, porém, salvaguardar as situações em que a antecipação de acontecimentos constitui um fator de ansiedade.

Se possível, deverá ser definido para cada aluno a beneficiar de medidas de suporte à aprendizagem e inclusão, um professor responsável, ou o professor titular/diretor de turma (que o conheça bem), para agregar a informação a articular com o contexto familiar, ao nível da disponibilização de conteúdos e tarefas, bem como a monitorização da sua execução. Mediante a autonomia e patamar de aprendizagem dos alunos, esta articulação poderá passar por uma sessão em videoconferência com uma periodicidade regular, a definir por ambas as partes. A criação de salas virtuais em plataformas digitais poderá ajudar na gestão do envio e entrega de conteúdos e tarefas.

No caso de alunos a beneficiar de medidas seletivas e adicionais, surge a dificuldade acrescida do cumprimento dos conteúdos previstos nas suas adaptações curriculares. Estas variam de aluno para aluno, multiplicando assim, a tarefa do professor, privado do papel de proximidade, tão necessário no caso destes alunos. Surge então o segundo aspeto importante, e que se prende com o envolvimento da família/encarregado de educação nesta tarefa conjunta de ensino-aprendizagem. Mais do que nunca, o papel do contexto familiar se mostra imprescindível, pelo que, se considera também essencial esclarecer o encarregado de educação e dotá-lo das competências necessárias para que se torne num apoio para o aluno e para o próprio professor. É necessário que se estabeleça um contacto de proximidade, pautado pela entreajuda e o reforço positivo, que confira ao encarregado de educação a confiança suficiente no trabalho que está a ser desenvolvido pelos professores e por si próprio. Importa salientar que a redução da carga horária de apoio em relação ao modelo presencial não significa necessariamente uma redução do apoio efetivo prestado ao aluno. A documentação que suporta as medidas de que cada aluno beneficia deve estar presente aquando da elaboração da planificação individual, para que seja cumprida de forma, o mais fiel possível.

Uma vez que esta primeira fase esteja cumprida, importa apenas fazer o que sabemos fazer melhor, com o mesmo empenho e dedicação.

Partilhar:

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *