Tecnologia para uma Educação Inclusiva

Entre os desafios distintos que a sociedade contemporânea enfrenta, um dos mais prementes é, ou pelo menos deveria ser, abrir caminhos, inovar e tirar proveito dos media existentes, para que a educação possa alcançar mais pessoas. 

Dentro desta perspetiva é fundamental promover uma educação mais inclusiva que alcance diferentes grupos com diferentes necessidades e percursos. Com o propósito de assegurar o acesso universal a uma Educação de qualidade, as pesquisas apontam para a necessidade de operar em três campos: modelo ou metodologia; Políticas de Educação; e Tecnologia para Educação.

Inclusão significa que é possível a todos participar ativamente nas atividades diárias da comunidade a que pertencem sem sofrer nenhum tipo de rejeição ou segregação por qualquer motivo.

A UNESCO define a educação inclusive enquanto “um processo de abordar e responder à diversidade de necessidades de todos os alunos, aumentando a participação na aprendizagem, culturas e comunidades e reduzindo a exclusão dentro e fora da educação”. Portanto, e com o objetivo de tornar a Educação inclusiva uma realidade é peremptório transformar abordagens e não apenas técnicas e dinâmicas. 

A tecnologia para a educação é, sem dúvida, um fator fundamental para um ensino e aprendizagem mais envolventes, na mesma medida em que é essencial alcançar os Objetivos da Agenda Global de Educação 2030. No contexto do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável n.º 4 que declara “garantir uma educação inclusiva e equitativa de qualidade e promover oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todos”, cabe à UNESCO dirigir esta agenda com as organizações e instituições que são suas parceiras.

Pelo exposto, devemos continuar a trabalhar para melhorar e aprimorar a integração de tecnologia que promova a colaboração, a disseminação e a aceitação da própria educação, métrica, avaliação, evolução do aluno, qualidade do professor e através de todos estes elementos a inclusão. Assim, podemos identificar a educação online como uma boa alternativa inclusiva.

Ao falar sobre inclusão, devemos referir diversos temas, tal como as Necessidades Educativas Especiais e as questões das exclusões disciplinares, dos grupos vulneráveis ​​à exclusão, da igualdade de género e da necessidade de educação para todos; isto é, uma educação global e igualitária

Graças às suas características e diversas vantagens, a educação online possibilita aos indivíduos com determinadas necessidades especiais ou em situações sociais complexas, o acesso ao ensino académico formal e informal. Mesmo regiões, como a América Latina, para além da falta de cobertura e infraestrutura ainda são uma realidade, é urgente melhorar a qualidade da educação e dos seus processos e eliminar diferentes discriminações ao melhorar o direito à educação. Além disso, é essencial fortalecer ou integrar ainda mais os vários sistemas de promoção educativa e social.

Alguns exemplos concretos são os programas de leitura em computador projetados para pessoas com dificuldades visuais ou cegueira, permitindo-lhes ouvir o conteúdo de qualquer documento; as aulas e tutoriais com legendas que favorecem quem tem dificuldades auditivas. Além disso, a tecnologia e a conectividade abrem as portas à oportunidade de estudar às pessoas que vivem em áreas afastadas das grandes cidades onde estão localizadas as universidades. 

Com o uso das TI, as barreiras de comunicação, de espaço e tempo são quebradas, facilitando o acesso às informações, independentemente das condições, local de residência, características físicas, sociais ou cognitivas das pessoas

Com o uso da TI, alavancando a educação inclusiva, podemos promover a melhoria das condições de vida de grupos marginalizados (como minorias étnicas ou idosos que são “esquecidos” em alguns países).

Para que a modalidade online seja realmente uma alternativa contra a exclusão educativa, é necessário trabalhar a partir de diferentes variantes, como a Pedagogia (com o design e desenvolvimento corretos de planos e conteúdos); Engenharia de Software (em termos de inovação e criação de plataformas e aplicativos acessíveis, intuitivos e adequados a cada usuário); incluindo Administração, Política e Direito, para que todas as instituições envolvidas promovam e apliquem políticas públicas e regulatórias que favoreçam a educação. Este é um dos assuntos que preocupam, tanto as agendas das políticas educativas quanto a educação inclusiva que tem sido desigual nos vários países, principalmente na América Latina.

Deste modo, ainda devemos responder a uma série de desafios relevantes, entre os quais o acesso à rede de banda larga e a falta de uma sólida alfabetização digital.

Deveríamos promover o acesso à Internet como um direito do cidadão e promovê-lo através da colaboração e cooperação entre governos e instituições.

Sem dúvida, a integração da tecnologia é hoje uma das principais variantes e a sua integração no contexto da educação deve ser planeada de acordo com o ambiente educativo com o objetivo de promover o crescimento individual e despoletar a inclusão social e digital.

Dr.a Julieta Palma Anda

Diretora Geral da Universidade Internacional de La Rioja, México

Vice-Reitora de Relações Institucionais

Julieta Palma Anda possui um Bacharelato em Ciências da Comunicação pelo Tecnológico de Monterrey, Campus da Cidade do México e um Mestrado em Estudos Humanísticos e em Educação pela Universidad Virtual del Tecnológico de Monterrey. É doutorada em Sociedade do Conhecimento e Tecnologias Integradas (Espanha). 

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