Uma mudança educativa ou uma educação para a mudança

Competências técnicas, competências transversais, uma mudança educativa ou uma educação para a mudança

Vivemos num período de revolução digital alucinante que tem impactado todas as esferas das nossas vidas: como aprendemos, ensinamos, trabalhamos, pensamos, comunicamos, experimentamos e exploramos.

Por isso, neste contexto de mudança, que tal recuperar o propósito da Educação de preparar as crianças e jovens para serem mais conscientes e responsáveis pelo lugar onde vivem e assumirem o compromisso de o proteger e melhorar?

Já é tempo de sermos inovadores!

Vamos aprender robótica, ciências, matemática, história e línguas com este propósito no horizonte! Vamos colocar todos estes conhecimentos em prática, para que sejamos capazes de alcançar uma transformação positiva nas nossas comunidades!

Vamos construir conhecimento relevante e desenvolver competências cognitivas, sociais e emocionais!

Já é tempo de inovar com o claro propósito de contribuir ativamente para um mundo melhor para todos, sem exceção. Em todas as escolas do mundo este propósito tem o poder potencial de se transformar em realidade!

Talvez integrar a tecnologia na esfera educativa seja tão desafiante quanto no mercado de trabalho.

O LinkedIn identifica a existência de, pelo menos, 50.000 competências profissionais no mundo como sendo um dos maiores desafios que enfrentamos atualmente.

Além disso, e, uma vez mais, de acordo com o LinkedIn 57% dos líderes séniores consideram as competências transversais (“soft skills”) mais importantes do que as competências técnicas (“hard skills”). Atualmente as empresas procuram o seguinte TOP 5 de competências pessoais:

1. Criatividade

2. Persuasão

3. Comunicação

4. Adaptabilidade

5. Gestão de tempo

Além disso, temos ainda as competências técnicas e em 2019, as mais procuradas pelo mercado de trabalho refletem o impacto do nosso mundo cada vez mais digitalizado, que, por sua vez, se traduz pelo aumento do interesse em áreas, tais como, cloud computing e inteligência artificial.

Portanto, no contexto do TOP 5 das competências técnicas, são elas:

1. Cloud computing

2. Inteligência Artificial

3. Raciocínio analítico

4. Gestão de Pessoas

5. UX Design

Se pretendermos expandir o espectro das competências técnicas mais procuradas, atualmente as empresas procuram também perfis que possuam as seguintes competências: processamento da linguagem natural, computação científica, desenvolvimento de jogos, análise de negócios e ciência de dados.

No entanto, e se dermos um passo atrás para refletir, na realidade as competências técnicas e pessoais não são realidades nem conceitos isolados. Não! São, de facto, dois lados da mesma moeda, ou seja, estão inevitavelmente interligados.

Por meio de uma integração relevante da tecnologia nas experiências de ensino/ aprendizagem é viável a promoção e incentivo do desenvolvimento de um conjunto de competências técnicas, dinamizando simultaneamente o desenvolvimento de um conjunto de competências pessoais, entre as quais, a comunicação, colaboração, resolução de problemas ou a criatividade. E, mais importante, precisamos dos dois tipos de competências!

Esta realidade que vivemos, juntamente com a crise educativa global, traz um desafio gigantesco aos sistemas de educação!

O World Development Report de 2018 do World Bank sublinha que “centenas de milhões de crianças atingem a idade adulta jovem, mesmo sem as habilidades básicas da vida”.

Adicionalmente o relatório Learning Generation de 2016, da Education Commission, estima que “mais de três quartos de um bilião de jovens em países de baixo e médio rendimento não estarão no caminho certo para adquirir competências básicas de nível secundário”.

O número de matrículas aumentou, o que significa turmas maiores, com alunos oriundos de uma ampla gama de contextos económicos, sociais e culturais. Ao mesmo tempo, espera-se que os professores abranjam currículos cada vez mais extensos, bem como uma diversidade de temas, desde a alfabetização digital e educação cívica, passando pela saúde, educação sexual e meio ambiente.

Estas transformações refletem o papel relevante que queremos (e que precisamos) que as escolas desempenhem nas nossas comunidades e nos mercados económicos, contudo, muitas são as escolas que ainda não estão preparadas nem equipadas para tal.

Portanto, a pergunta que se impõe é “como é que as escolas podem mudar para lidar com tanta disparidade e incerteza?”

A tecnologia pode ser um recurso disruptivo. Temos testemunhado tecnologias educativas incríveis. Por exemplo, a oportunidade de adaptive learning tem sido alavancada por meio da inteligência artificial, big data, aprendizagem social.

Por sua vez, a aprendizagem imersiva alcançou um nível completamente novo através da realidade virtual, realidade aumentada e gamificação que têm revolucionando a aprendizagem personalizada, aproximando os alunos de um universo infindável de conhecimentos.

Em resumo, quando os alunos usam a tecnologia como uma ferramenta de aprendizagem, o seu papel transforma-se drasticamente, passando para um estado ativo em contraste com o papel passivo conservador e tradicional de recetáculo de conhecimento apresentado por um professor ou por um livro didático. Assim, o aluno pode pesquisar, selecionar, reunir, analisar, priorizar e exibir dados ativamente.

A integração significativa da tecnologia também oferece aos alunos a oportunidade de tomar decisões e empreender conceitos considerados atípicos nos ambientes tradicionais de estudo.

Sandra Jesus

Gestora de Comunicação da jp.ik, unidade de negócio da JP Sá Couto

Partilhar: